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Tadim publica livro de Eduardo Pires de Oliveira

«Nem só as freguesias urbanas merecem uma monografia»

A Junta de Tadim lança, amanhã sábado, pelas 16h00, o livro “A freguesia de São Bartolomeu de Tadim”, da autoria de Eduardo Pires de Oliveira.

O historiador diz que esta localidade é interessante quando analisada em termos globais e mostra que «mesmo as freguesias sem uma grande história acabam por ter coisas importantes para contar». «Não podemos pensar que só localidades com a história de Soutelo ou as dos centros urbanos é que merecem uma monografia», afirma ao Diário do Minho. O trabalho para esta publicação começou há cerca de dois anos, a partir de um contacto do presidente da Assembleia de Freguesia de Tadim, Luís Braga da Cruz, com Eduardo Pires de Oliveira. A pesquisa para esta obra, que contou com a colaboração de Braga da Cruz e do padre António Laranjeira, incluiu «a procura de todo o tipo de material», desde dados religiosos, políticos, patrimoniais e demográficos, bem como informações sobre os percursos das figuras mais emblemáticas da localidade. «Tadim faz parte do puzzle que é esta região», refere Eduardo Pires de Oliveira, sublinhando que o desenvolvimento da localidade é marcado pelo facto de se «situar do ponto de vista geográfico no vale d’Este», pela existência do caminho de ferro e pela estrada que lhe é paralela. «Mais recentemente, nos anos 20, surge uma indústria de móveis baratos que abastece as feiras da região», acrescenta. Desta freguesia saíram pessoas que desempenharam cargos de destaque em Portugal e no estrangeiro. Incontornável é a família Braga da Cruz, que sempre teve em Tadim a “casa de família”. «Temos obrigatoriamente de falar dos Braga da Cruz, uma família de onde saíram reitores de universidades, deputados, fundadores de livrarias em Braga, entre muitos outros cargos. Eles mantêm a casa de família, aonde voltam continuamente», sublinha. Tadim é igualmente a terra de Luís d’Almeida Braga, um vulto do Integralismo Lusitano, de Custódio Braga, que esteve à frente do Banco do Comércio no Rio de Janeiro, ou de Luís Martins “O Palavrito”, um bêbado incorrigível, mas um poeta popular de qualidade. «Valia a pena a Escola C+S local fazer uma recolha das obras de Luís Martins para se manter essa tradição», afirma o autor do livro. S.ra das Candeias com muitos devotos Eduardo Pires de Oliveira constatou que existia uma grande devoção a Nossa Senhora das Candeias, à qual está dedicada uma «velha capela de alpendre muito bonita». «Havia uma imensa devoção à Senhora das Candeias ou Senhora de Tadim como era chamada. S. Bartolomeu, apesar de ser o padroeiro, tinha menos devotos», explica o historiador. A análise do Tombo da Freguesia, datado de 1548, permitiu encontrar «uma breve descrição da igreja, que pouco tem a ver com a actual, e do passal, que agora está nas mãos de particulares». Já através das Memórias Paroquiais, de 1758, foi possível ver uma nova descrição da igreja e das imagens de santos que lá existiam. Eduardo Pires de Oliveira considera que se pode ajuizar sobre o cuidado que uma localidade tem com o património ao olhar para as imagens dos santos. «Tadim tem feito um trabalho óptimo neste aspecto, possuindo imagens do século XVIII. Mais antiga, só mesmo a imagem de Nossa Senhora das Candeias, que é do século XVI», diz. O mesmo cuidado não tem sido tão notado no que se refere aos livros das confrarias, mas há casos muito mais dramáticos. «Há freguesias onde não há nada e em Tadim ainda se encontram alguns volumes», justifica. «Temo pelo futuro da periferia» Instado pelo DM a comentar o desenvolvimento do concelho, o historiador de arte Eduardo Pires de Oliveira diz temer pelo futuro da periferia de Braga, uma vez que o «caos urbanístico» está a alastrar pelas aldeias. O investigador defende que «em Braga não se planeia» e que isso pode ter consequências desastrosas nas áreas rurais que ficam nas zonas de expansão da cidade. «Hoje em dia não temo pelo centro histórico, uma vez que a preservação daquele espaço já está tão enraizada na mentalidade das pessoas e na legislação que parece mal fazer intervenções abusivas. Já se perdem votos quando se comentem erros ali. Agora, o mais preocupante é a periferia, onde reina o caos», afirma. O especialista observa, no entanto, que é preciso vigilância constante em relação à zona histórica, que está a braços com o problema da desertificação e das consequências da impermeabilização dos solos. «Em Braga, chove muito e a água, que não tem para onde escorrer, vai acabar por provocar destruição. Quando se criam praças como a António Losa, quando se põe alcatrão nas ruas e nos passeios, quando se tapam as raízes das árvores, estão--se a criar gravíssimos problemas no escoamento da água», declara. Eduardo Pires de Oliveira lamenta que «não se façam estudos de urbanismo» e que a esmagadora maioria da população não participe na vida da cidade. «Braga é uma cidade abúlica, enquanto Guimarães é uma cidade viva. Em Braga, há cafés, onde se paga e se sai. Em Guimarães, há clubes, onde as pessoas têm de se empenhar», afirma. Em seu entender, esta ausência de participação revela falta de cultura porque «uma pessoa culturalmente activa participa na vida da cidade». Do mesmo modo, diz que também é sinónimo de «falta de civismo», uma vez que «uma pessoa que não intervém na gestão do bem comum demonstra falta de civismo». O historiador de arte elogia as pessoas ligadas ao ProjectoBragaTempo, que «não têm medo» numa cidade «onde é difícil tomar uma posição porque se é logo conotado». Por outro lado, elogia a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, que «faz um trabalho exemplar ao editar livros em Braga, substituindo-se aos poderes instituídos».

Texto, Luísa Teresa Ribeiro
Foto,
Publicado a 17-12-2004
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