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As linhas que tecem a Procissão da Burrinha (com vídeo)

Reportagem | 10 de Abril de 2017
Dezena e meia de mulheres oferecem o seu tempo e serviços para tratar dos fatos que, na noite de Quarta-feira Santa, saem às ruas de Braga na Procissão da Burrinha.
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Cortar, alinhavar, costurar, engomar – da Quaresma à procissão

Pelas 21h15, as primeiras mulheres começam a quebrar a pacatez do largo junto à igreja de S. Victor. Já se conhecem de anos anteriores. É Vera Barros quem abre o portão do Centro Paroquial. É também ela que orienta e organiza as tarefas. Numa pequena sala, atolada de tecidos, linhas, tesouras, máquinas de costura e outras marcas de trabalho, todas sabem o posto que devem ocupar. Cortar, alinhavar, costurar, engomar, tratar dos registos. Cada uma sabe o que tem a fazer.

É Adelina Vieira quem manobra, com traquejo, a máquina de costura. Já o faz há quase 20 anos. Depois de cortados e alinhavados pelas colegas, os tecidos passam para as suas mãos. Ao lado da mesa onde trabalha, repousa uma máquina mais moderna, a motor. Mas Adelina prefere «dar ao pedal». Não se dá com as máquinas novas. É com precisão que aos 75 anos continua a enfiar a linha na agulha à primeira tentativa. Aprendeu a arte com a mãe. Mais tarde, aperfeiçoou a técnica com uma mestre. «Era assim que se chamava antigamente», diz. Quando Vera a chama, lá vem «fazer o serãozito». Fá-lo com gosto. E é com uma vaidade confessa que afirma: «Tenho jeito». Praticamente todos os fatos passam pelas suas mãos antes da procissão. «Quase que mexo neles todos, nem que seja para consertar, vem quase tudo parar à minha mão», conta.

Entre tecidos, linhas, agulhas e tesouras há apenas uma costureira de profissão. Teresa Correia é a única «com olho» para marcar o tecido e recortar, dizem as parceiras. «É a prática», acrescenta Teresa, com modéstia.

Em frente ao computador está Isabel Moreira. Embora em anos anteriores já tenha passado a ferro, alinhavado ou costurado, agora está encarregada dos registos. «Aqui é o registo das crianças que estão inscritas», diz, enquanto aponta para a tabela no computador com o nome das crianças e as medidas para os fatos. «Cada criança tem que estar presente em três ensaios antes da procissão, e num deles faz a prova do fato», explica.

No salão, ao fundo do corredor, passa-se a ferro. Antes disso já as voluntárias levaram os fatos para casa, para lavar. Há duas, três ou quatro mulheres a engomar, «conforme os dias», diz Paula Reis, com o ferro na mão, sem despregar os olhos do tecido. No cabide, são vários os fatos já prontos. Há, porém, outros tantos por engomar. Afinal, são cerca de mil os figurantes a acompanhar «a burrinha» que carrega a representação de Nossa Senhora do Egito.

 

«Uma procissão do povo, para o povo, feita pelo povo»

«Vera, quero trabalho. Está tudo a postos», diz uma das voluntárias ao entrar na sala. Antes de deitar mãos à obra, os fatos do ano anterior são revistos. Trata-se dos fatos antigos e fazem-se novos. Todos os anos há algo feito de raiz. Este ano, por exemplo, terão mais dois profetas para além de Isaías, dois figurantes com fatos a estrear. As crianças da catequese levam um pormenor diferente de ano para ano. Desta feita, vão vestidas com uma túnica branca e uma gola azul. «Como este é o ano da Fé Contemplada, a figura principal é Maria, que no cartaz do Ano Pastoral aparece em tons de azul e branco, por isso as vestes das crianças são nesses tons», explica Vera.

Enquanto vão alinhavando e costurando as golas, põem a conversa em dia. A noite é de trabalho, mas também de convívio. Algumas colaboradoras conhecem-se desde que a procissão foi retomada. Já lá vão 19 anos. Foram-se somando caras novas, que não falham de ano para ano. Com o barulho de fundo da máquina de costura e os olhos presos na agulha e na linha, vão recordando peripécias antigas. «E quando a Vera perdeu as chaves e tivemos que sair pela janela… Foi um dia de trabalho! Tivemos sorte que havia uma janela e era baixinho!», lembra Adelina ao som de uma risada geral. Vera, que orienta o trabalho, garante que «é tudo gente bem-disposta».

A rotina repete-se todas as noites, exceto sábados e domingos, entre as 21h15 e as 23h30. Começam um pouco antes da Quaresma e terminam no dia da procissão. Este ano começaram mais tarde, porque estiveram a preparar outras atividades na paróquia. «Eu já avisei que esta semana temos que ficar até mais tarde, porque a procissão não vai esperar que nós acabemos os trapos, não é? E elas disseram que sim. Aqui todos têm muito boa vontade em estar presentes, em fazer», diz Vera.

O presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, Ricardo Silva, louva a paixão que as voluntárias empregam na sua tarefa e destaca a importância do «trabalho de bastidores»: «Esta procissão só tem condições de sair com quase mil figurantes para a rua fruto do trabalho de muitas pessoas que se dedicam à noite a costurar, a fazer o tratamento das vestes».

Para o presidente, o facto de a Procissão da Senhora da Burrinha nascer das mãos do povo torna-a especial. «Percebe-se que é uma procissão do povo, para o povo, feita pelo povo», remata.

 

Devoção, convívio e oração: assim nasce a procissão

Todas as noites, antes de começar o trabalho, as costureiras oram, em uníssono: «Senhor, que tudo o que façamos possa começar com a tua inspiração e continuar com a tua ajuda, para que todas as nossas orações e obras possam começar em ti e através de ti sejam alegremente concluídas. Por Cristo, Nosso Senhor. Amén».

«Nós acreditamos que a oração nos ajuda, que nos inspira e dá ânimo ao trabalho e ao nosso dia a dia», explica Isabel.

Vera garante que a oração é o que lhes dá força e que o dia da procissão, confuso, como relata, «só dá certo porque Deus quer».

Chegada a Quarta-feira Santa, os portões do Centro Paroquial abrem às 20h30. «É uma confusão!», conta Vera. A procissão sai às 21h30: os figurantes têm uma hora para se aprontar. São separados por Quadros Bíblicos, cada Quadro ocupa uma sala. 

As costureiras estão com os figurantes apenas no dia em que o cortejo bíblico «Vós sereis o meu povo» vai para a rua. Com a procissão prestes a arrancar, ajustam-se os fatos, alinhavando. «Houve aí um ano em que tivemos um vestido que no dia da procissão foi "agrafa, agrafa, agrafa", na hora de sair. E foi mesmo assim, de agrafador», conta Adelina. «É uma confusão, uma multidão de gente!», diz Vera.

Com a procissão na rua, é com orgulho que veem os figurantes desfilar as vestes que cuidadosamente aprontaram. Vera não hesita em afirmar: «É gratificante vermos que deu certo, que está tudo bem, e ouvirmos as pessoas dizerem que gostam».

Adelina já soma várias procissões, 19 com a que se avizinha. Leva as mãos à cabeça ao recordar algumas peripécias que lhe vêm à memória. Relata-as com um misto de sufoco e alegria. Mas garante que todo o esforço vale a pena, pelo «convívio» e pela «devoção». E admite, sem pudor: «Tenho vaidade em ser de S. Victor e de trabalhar para isto».

Veja o vídeo da reportagem aqui.

Autor: Filipa Correia/ Fotos: Filipa Correia/ Ana Marques Pinheiro
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